Uma família está acusando profissionais de saúde de negligência médica e aplicação de superdosagem de medicamentos que teriam causado a morte de um bebê e a remoção do útero de uma mulher. O caso aconteceu no dia 1º deste mês no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA), em Campina Grande.
No Instagram, Jorge Elô, o pai do bebê e marido da mulher que teve o útero removido, falou sobre como aconteceu a tragédia.
Segundo Jorge, a esposa dele, Danielle, estava com 39 semanas de gravidez quando, no dia 27 de fevereiro, foi internada no Isea apresentando três centímetros de dilatação vaginal. No dia 28, ainda na maternidade, eles foram informados que ela teria parto normal e a equipe médico iniciou a aplicação de comprimidos intravaginais para induzir uma maior dilatação.
Jorge Elô relatou que o médico que realizou o pré-Natal da gravidez estava de plantão na maternidade e participou do atendimento à Danielle e o bebê.
“Às 3h (do dia 1º deste mês) doutor Mário substituiu a medicação por uma infusão intravenosa, intensificando as contrações. Por volta das 6h, após três horas de sofrimento, duas profissionais da equipe médica acusaram Danielle de fazer escândalo. Uma delas constatou que a cabeça do bebê já estava coroada, mas, sem consultar o médico responsável, a outra aumentou a dosagem da medicação”, relatou Jorge.
Foi após o aumento da dosagem que Danielle começou a passar mal. Jorge Elô contou que ela vomitou e começou a tremer de frio. Em busca de ajuda, a família ouviu da equipe médica que a situação era normal. As profissionais também teriam se negado a observar a situação de Danielle. Segundo Jorge, elas alegaram que estavam atendendo outras gestantes.
Na postagem, Jorge Elô também informou que o médico que fez o pré-natal e que estava na maternidade acompanhando o procedimento foi embora sem falar com a família. Em seguida, o estado de saúde de Danielle e do bebê se agravaram.
“Após a superdosagem, a cabeça do bebê deixou de coroar. As profissionais culparam Danielle. Minutos depois, forçaram-na a fazer força sem monitorar seu pulso ou o bebê. Quando Danielle desmaiou, sem pulso, levaram-na às pressas para a cirurgia. Davi Elô (filho do casal) já estava morto. O útero de Danielle foi removido devido a um rompimento causado pela superdosagem. A negligência da equipe custou a vida do nosso filho e a saúde de Danielle”, afirmou Jorge.
Jorge Elô também relatou no Instagram que a Polícia Civil está investigando o caso. A família busca por justiça e responsabilização do médico e da equipe do Isea.
De acordo com a Prefeitura de Campina Grande, responsável pelo Isea, os profissionais de saúde que participaram do atendimento à Danielle foram afastados das funções.
Situação de Danielle ainda é delicada
Em uma segunda postagem, Jorge Elô contou que a família vem recebendo apoio psicológico e jurídico de pessoas que se sensibilizaram com o caso. Danille ainda convive com dores na região lombar e precisou ser socorrida para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na madrugada desta quarta-feira (12).
“Danielle encontra-se com dores intensas na região lombar direita. Ontem, dedicamos o dia à realização de exames na clínica para investigar sua condição. O médico informou que ela apresenta uma dilatação no rim e explicou que, após sua recuperação da cirurgia, daríamos início ao tratamento adequado. Entretanto, durante a madrugada, Danielle acordou em prantos, acometida por fortes dores e episódios de vômito. Diante disso, acionamos o SAMU e, no momento, estamos na UPA para novas investigações. Assim que tivermos atualizações do quadro de saúde dela, iremos divulgar”, disse Jorge Elô.
Posicionamento da defesa do médico
Em contato com o Pop Notícias, o advogado Rafael Augusto Pinto Carvalho, que representa o médico que participou do atendimento à Danielle, enviou uma nota afirmando que a publicação de Jorge Elô no Instagram está disseminando informações “difamatórias, antes da realização ou conclusão de qualquer investigação e sem respeito ao contraditório e ampla defesa”.
Veja a nota na íntegra abaixo:
Com relação ao evento ocorrido em 1º de março de 2025, que associa injusta e indevidamente o nome do Médico Dr. Mario de Oliveira Filho a suposto caso de erro médico que teria ocorrido no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA).
Por essa razão, sua defesa técnica destaca que até o presente momento não há qualquer conclusão administrativa, civil, ética ou penal que atribua responsabilidade ao médico ou a qualquer outro profissional do ISEA, pelos fatos mencionados na publicação do Instagram.
A publicação em questão está repercutindo informações difamatórias, antes da realização ou conclusão de qualquer investigação e sem respeito ao contraditório e ampla defesa.
Compreende-se o momento atribulado e a dor inimaginável da família, pelo que registramos nossas mais sinceras condolências, mas espera-se, pois em se sabendo que cabe exclusivamente às autoridades competentes a apuração e julgamento desses fatos, que ocorra uma retratação por parte do comunicante, em virtude da disseminação de conteúdos pejorativos sem provas concretas, que não cabem no espaço do “Tribunal da Internet”, o que pode configurar afronta aos direitos fundamentais da personalidade dos envolvidos, previstos na Constituição Federal e na legislação vigente.
Reiteramos nosso compromisso com a transparência e a justiça, defendendo sempre a apuração rigorosa dos fatos, dentro dos limites legais, e o respeito à honra e à dignidade do profissional da saúde. Sua defesa sempre estará a disposição para esclarecimentos adicionais, caso se façam necessários.