A Câmara Municipal de João Pessoa entregou uma Medalha Cidade para a ativista Elizabeth Texeira. A sessão especial foi realizada na última segunda-feira (17), e foi proposta pelo vereador Marcos Henrique (PT) e secretariada por Milanez Neto (MDB).
De acordo com o Projeto de Decreto Legislativo, a história de vida de Elizabeth Teixeira é um exemplo de como a dignidade humana deve ser preservada e de como a perseverança de uma mulher centenária é inspiração na luta por um país mais justo. A justificativa ainda ressalta que a importância de Elizabeth Teixeira se reflete não apenas no impacto de suas ações em sua época, mas também na continuidade de suas bandeiras de luta, que continuam a inspirar gerações.
O vereador Marcos Vinícius destacou ainda que a Medalha Cidade de João Pessoa para Elizabeth Teixeira é uma homenagem merecida e a celebração dos 100 anos de vida de uma mulher que viveu e participou de momentos cruciais que transformaram a realidade de milhares de brasileiros. “A sua história é exemplo e digna de uma homenagem tão significativa quanto esta. Que sua perseverança e seu exemplo sigam nos inspirando”, reforçou o parlamentar.
A neta de Elizabeth Teixeira, Ana Rachel Tavares, falou em nome da homenageada sobre a importância da avó para as gerações. “A história de vida da minha avó, Elizabeth Teixeira, ecoa na vida da geração presente e ecoará na vida da geração futura. Minha avó ensinou a importância de lutar pela terra, e que lutar pela terra é lutar pela vida. Ela também nos ensinou a importância de lutar pela igualdade, pela dignidade e pela justiça. A história de vida dela ecoa na história de tantas outras mulheres, aquelas do campo, as que lutam diariamente pelo sustento e educação dos filhos. Eu falo que minha avó é uma revolucionária, convicta dos seus ideais e que ensina a nós mulheres a termos essa força, mantermos a cabeça erguida e a termos voz para poder termos vez”, concluiu.
Sobre a homenageada
Elizabeth Altina Teixeira nasceu em 13 de fevereiro de 1925, no município de Sapé, Paraíba, na comunidade Antas do Sono. Foi a primeira dos filhos do casal Altina Joaquina de Jesus Costa e Manoel Justino da Costa. Na década de 1940, Elizabeth Teixeira enfrentou a família ao se casar com João Pedro Teixeira. Ao lado dele, atuou na luta pela terra na Liga Camponesa da Paraíba.
Em 1962, após o assassinato do companheiro, assumiu a liderança da organização no município de Sapé. Em diversas ocasiões foi presa. Com o golpe militar de 1964, Elizabeth Teixeira teve que passar para a clandestinidade e se refugiou em São Rafael (Rio Grande do Norte).
Permaneceu clandestina até 1981, quando foi encontrada pelo cineasta Eduardo Coutinho, que retomara as filmagens de seu documentário ‘Cabra Marcado para Morrer’. A partir daí foi morar em João Pessoa. A casa onde viveu com João Pedro, em Sapé, hoje abriga o Memorial das Ligas Camponesas.
Aos 100 anos de idade, Elizabeth Teixeira é um símbolo nacional e mundial na luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e reforma agrária.