A Organização das Nações Unidas, através da Organização Meteorológica Mundial, divulgou nesta quarta-feira (19) um relatório mostrando que 2024 foi o primeiro ano a ficar mais de 1,5 °C acima da temperatura na era pré-industrial. Isso significa que foi o ano mais quente da Terra desde que começaram os registros, há 175 anos.
Além disso, a organização alerta que os ciclones tropicais, inundações, secas e mais desastres naturais levaram ao maior número de novos deslocamentos registrados em 16 anos. Isso ainda é agravado pelas crises alimentas e perdas econômicas.
O texto diz que esses dados mostram um alerta das consequências das mudanças climáticas para os próximos anos, que podem ser irreversíveis. A agência ressalta que o clima extremo também é responsável por “enormes turbulências econômicas e sociais”.
Em declaração, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o “planeta está emitindo mais sinais de socorro” e que limitar o aumento da temperatura global a longo prazo a 1,5 °C “ainda é possível”.
A OMM diz que o relatório é baseado nas contribuições científicas dos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais, Centros Climáticos Regionais da OMM, parceiros da ONU e dezenas de especialistas.
O que causou o aumento em 2024?
Segundo a entidade, a principal causa do aumento da temperatura global são o contínuo agravante das emissões de gases de efeito estufa. A ONU afirma que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera está nos níveis mais altos dos últimos 800 mil anos.
Também a mudança da La Niña, fenômeno de resfriamento, para o El Niño, de aquecimento das águas, pode ter colaborado. Segundo a secretária-geral da agência, Celeste Saulo, os dados de 2024 mostram que os oceanos continuam a ficar cada vez mais quentes e o nível do mar a subir cada dia mais.
Isso contribui para que partes congeladas da superfície da Terra estejam derretendo em “níveis alarmantes”. O gelo marinho da Antártida, por exemplo, atingiu em 2024 a segunda menor extensão já registrada.
A Organização Meteorológica Mundial completa afirmando que cada um dos últimos 10 anos foram, individualmente, os mais quentes da história. Além disso, cada um dos últimos oito anos teve recorde de calor no oceano.
Fonte: CBN