“Não há dúvidas de que houve tentativa de golpe”, diz Moraes em julgamento

Segundo Moraes, as investigações apontam "a participação nessa organização criminosa de todos os réus estruturados".

Golpe, Alexandre de Moraes, Bolsonaro
Ministro do STF, Alexandre de Moraes (Foto: Antonio Augusto/STF)
Compartilhe:

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (9) que “não há dúvidas de que houve tentativa de golpe” no país.

O magistrado iniciou nesta terça a votação no julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete integrantes do chamado “núcleo 1” da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), no inquérito que apura a produção de um golpe de Estado a ser executado no país.

Continua Depois da Publicidade

Segundo Moraes, as investigações apontam “a participação nessa organização criminosa de todos os réus estruturados”.

“A acusação aponta a participação nessa organização criminosa de todos os réus estruturados e atos executórios que consumaram os delitos. Importante lembrar que a materialidade dos delitos, dos cinco delitos que eu iniciei citando, a materialidade desses delitos. Pela Procuradoria-Geral da República, essa materialidade já foi reconhecida em mais de 474 ações penais em que o Supremo reconheceu a materialidade desses delitos”, afirmou.

“Na verdade, esse julgamento não discute se houve ou não tentativa de golpe, se houve ou não tentativa de abolição ao Estado de Direito. O que discute é a autoria, se os réus participaram, que não há nenhuma dúvida nessas todas condenações e mais de 500 acordos em não percepção penal, de que houve tentativa de abolição ao Estado de Direito, de que houve tentativa de golpe, que houve uma organização criminosa e que gerou dano ao patrimônio público. Isso, tanto o plenário do Supremo Tribunal Federal que conheceu”, completou.

Depois do parecer de Moraes, os magistrados Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e o presidente do colegiado, Cristiano Zanin, votam para condenar, ou absolver, os oito réus.

Os ministros vão analisar questões preliminares apontadas pelas defesas, como a validade da delação do tenente-coronel Mauro Cid e o cerceamento de defesa.

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe:

Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);

Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;

Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;

Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e

Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Fonte: CNN Brasil

Compartilhe: