O aumento da expectativa de vida e as transformações sociais das últimas décadas colocaram a profissão de cuidador entre as que mais crescem no país. Entre 2019 e 2023, o número de profissionais atuando na área registrou aumento de 15%, segundo levantamento do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), impulsionado pelo envelhecimento populacional, pela maior conscientização sobre cuidados prolongados e pela necessidade crescente de suporte especializado às famílias.
O Brasil vive hoje uma das maiores transições demográficas de sua história. Projeções do IBGE indicam que, até 2030, o país terá mais idosos do que crianças, uma mudança que já influencia diretamente o mercado de cuidados. Além disso, lares menores e famílias mais dispersas diminuem a disponibilidade de cuidadores informais, ampliando a busca por serviços profissionais.
Para Jéssica Ramalho, CEO e fundadora da Acuidar, maior rede de cuidadores da América Latina, a profissão de cuidador passa por um crescimento exponencial impulsionado pela pandemia de covid-19. “No período de pandemia, com a necessidade de maior cuidado com as pessoas idosas, a área passou por um processo de expansão. Os idosos começaram a precisar de maior assistência e até os que antes eram saudáveis, tinham uma rotina, uma qualidade de vida, apresentaram certo declínio em relação à parte cognitiva e à parte física, precisando de cuidados e apoio emocional”, destaca.
O que faz um cuidador?
Mais do que um apoio pontual, o cuidador exerce funções técnicas e contínuas. Longe de ser um trabalho simples, exige preparo, já que cada paciente demanda atenção individualizada. Entre as principais responsabilidades estão o auxílio nas atividades básicas do dia a dia, como higiene pessoal, alimentação, mobilidade e organização da rotina.
Outra atribuição essencial é a administração de medicamentos, seguindo fielmente prescrições médicas, horários e dosagens, além do monitoramento de possíveis efeitos adversos. Também pode ser necessário acompanhar o assistido em consultas, exames, terapias e procedimentos, garantindo não apenas logística, mas acolhimento e comunicação clara entre família e profissionais de saúde.
Pacientes com maior fragilidade demandam ainda monitoramento de sinais vitais, como pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura. Essa observação constante ajuda a identificar precocemente mudanças que poderiam evoluir para complicações graves.
Mas existe, ainda, um papel que muitas vezes passa despercebido: o apoio emocional e social. Para pacientes mais independentes, o cuidador atua como presença acolhedora, incentivando atividades recreativas, conversando, oferecendo companhia e ajudando a preservar qualidade de vida e bem-estar psicológico. Esse suporte também se estende às famílias, que recebem orientação e suporte no dia a dia.



