Abril se despede com um convite silencioso, e cada vez mais urgente: ler um livro. Em um cenário dominado por notificações, vídeos curtos e consumo acelerado de conteúdo, a leitura parece travar uma disputa desigual pela atenção. No entanto, datas como o Dia Nacional do Livro Infantil (18) e o Dia Mundial do Livro (23) reacendem o debate sobre o papel da literatura na formação crítica da sociedade.
Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, indicam uma queda no número de leitores no país nos últimos anos: em 2015, 56% da população era considerada leitora, índice que diminuiu para 53% em 2024.
Robert Sérgio Costa, professor de Psicologia da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), integrante do maior e mais inovador ecossistema de educação de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, observa que o uso intensivo de telas com redes sociais e plataformas de entretenimento tem comprometido o tempo dedicado à leitura de livros, sobretudo nos adolescentes e adultos jovens, e que isso também sugere que o ambiente virtual rápido e repleto de distrações tem deixado a população mais ansiosa, impaciente e menos focada.
“Um ponto importante sobre esse comprometimento se refere às mídias digitais, as quais não apresentam potencial estímulo para o funcionamento cognitivo, prejudicam o foco atencional, a tomada de decisão e a capacidade de planejamento, relacionadas às funções executivas”, alerta Costa.
De acordo com o psicólogo, a leitura exerce papel central no desenvolvimento e desempenho cognitivo, pois mobiliza habilidades como atenção sustentada, linguagem, compreensão inferencial e pensamento crítico. “Em diferentes fases da vida, o hábito de ler contribui para ampliar o vocabulário, fortalecer a capacidade de concentração e favorecer processos de interpretação e reflexão mais complexos, com impacto positivo na memória e na aprendizagem. Nesse sentido, a leitura não deve ser entendida apenas como aquisição de informação, mas como uma prática de estímulo intelectual e de organização do pensamento”, afirma.
O mito do fim do livro impresso
Diante de tantos benefícios, se antes se falava no desaparecimento do livro físico, hoje a perspectiva precisa ser outra. Felipe Pontes, bibliotecário na FPB, acredita na coexistência entre os formatos é uma realidade e enxerga até um movimento de “reinvenção do livro impresso”. “A escolha depende mais da necessidade do leitor do que da superioridade de um formato. O digital amplia o acesso, enquanto o físico mantém um valor sensorial e emocional insubstituível. O que pode acontecer é uma valorização de edições especiais, colecionáveis, que reforcem essa experiência única”, frisa.
Do ponto de vista da saúde, o psicólogo Robert Sérgio ressalta que o que importa é o contato com o texto e com a narrativa que poderão acionar os processos cognitivos envolvidos. “No Brasil, por exemplo, há crescimento no uso de livros digitais e audiolivros. Assim, a leitura continua válida em qualquer suporte, desde que preserve sua função principal de promover compreensão, repertório cultural e desenvolvimento cognitivo”, pontua.
Neste Mês do Livro, o bibliotecário da FPB deixa um conselho: “Comece pequeno, leia com regularidade e escolha algo que realmente dê prazer. O hábito se constrói pela constância, não pela quantidade”, finaliza.




