Bactéria em produtos Ypê pode ser até cem vezes mais forte que microrganismos comuns

Em ambientes hospitalares, este microrganismo figura entre as principais causas de infecções graves, apresentando uma taxa de mortalidade que varia entre 32% e 58% em casos de pneumonia ou infecção generalizada.

Foto: Reprodução
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A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou o recolhimento imediato de lotes de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca Ypê na última quinta-feira (8), ganhou novos desdobramentos após ser confirmada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa nos produtos, o que representa risco sanitário para a saúde pública.

A Pseudomonas aeruginosa preocupa autoridades sanitárias por ser uma bactéria “oportunista” e altamente resistente a antibióticos. Em ambientes hospitalares, este microrganismo figura entre as principais causas de infecções graves, apresentando uma taxa de mortalidade que varia entre 32% e 58% em casos de pneumonia ou infecção generalizada, e sendo até cem vezes mais resistente à antibióticos do que outras bactérias.

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Especialistas explicam que a Pseudomonas aeruginosa consegue formar biofilmes que funcionam como escudos físicos, permitindo sua sobrevivência mesmo dentro de frascos de produtos de limpeza que, teoricamente, deveriam combatê-la.

No ambiente doméstico, o contato com os produtos contaminados pode causar irritações na pele, alergias, vermelhidão e problemas respiratórios. Embora o sistema imunológico de pessoas saudáveis costume barrar infecções graves, o risco aumenta drasticamente para grupos vulneráveis, como idosos, pacientes com câncer, portadores de HIV e transplantados.

O infectologista Leonardo Ruffing alerta que o perigo é ainda maior se o consumidor utilizar o produto para higienizar objetos de saúde.

“Se o produto for utilizado para higienizar um cateter, uma sonda ou um inalador, por exemplo, a bactéria vai ter um acesso facilitado, e pode causar uma infecção indireta”, explicou.

Especialistas em biomedicina sugerem que a contaminação pode indicar falhas na dosagem de conservantes, higienização incorreta das fábricas ou problemas na qualidade da água utilizada na produção.

Em nota oficial, a Ypê afirmou que possui fundamentação científica e laudos técnicos independentes que atestam a segurança de seus produtos, negando riscos aos consumidores. Entretanto, a Anvisa mantém a suspensão, reforçando o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a resistência antimicrobiana ser uma das maiores ameaças à saúde global atual.

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