Operação Perfídus: Denúncia de traficante levou à prisão de delegado e agentes na PB, diz polícia

O delegado Rafael Bianchi revelou que o estopim do caso ocorreu em fevereiro de 2025, quando o criminoso acusou os policiais de furtarem seus entorpecentes.

Foto: Reprodução
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A investigação que culminou na Operação Perfídus e prendeu um delegado e dois agentes da Polícia Civil nesta terça-feira (2), em João Pessoa, começou após a denúncia de um próprio traficante. O delegado Rafael Bianchi, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), revelou que o estopim do caso ocorreu em fevereiro de 2025, quando o criminoso acusou os policiais de furtarem seus entorpecentes.

Durante entrevista coletiva, Bianchi detalhou o início dos trabalhos que expuseram a infiltração do crime na instituição:

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“Iniciou-se, aproximadamente em fevereiro do ano passado, a partir de uma denúncia de um próprio traficante que teve as suas drogas subtraídas pela equipe policial. Nós identificamos o denunciante primeiramente, identificamos que ele é membro cadastrado de uma organização criminosa, e assim iniciamos algumas diligências prévias, acompanhando a rotina dos policiais”, explicou o delegado.

Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio judicial de cerca de R$ 10 milhões dos investigados. O próprio traficante que fez a denúncia inicial acabou preso.

Como funcionava o esquema de desvio e revenda

De acordo com a Draco, o grupo criminoso utilizava a estrutura do Estado para favorecer o tráfico. Traficantes aliados repassavam aos policiais a localização de cargas de drogas de facções rivais. Os agentes iam ao local, apreendiam os entorpecentes, mas, em vez de registrar a ocorrência, devolviam o material para os criminosos parceiros revenderem.

“Traficantes de confiança dos policiais informavam onde havia essa droga armazenada. Os policiais iam até o local, realizavam a subtração e repassavam essa droga para esses traficantes de confiança, que são todos da mesma organização criminosa”, detalhou Bianchi.

O delegado André Rabello acrescentou que o esquema durou cerca de 15 meses e violou até mesmo os carregamentos destinados à destruição oficial:

“A gente se debruçou e se deparou com essa realidade, com nove alvos, nove traficantes, incluindo três policiais, retirando do meio criminoso entorpecentes e, em vez da entrada na polícia, voltando para outras organizações criminosas. E o que dava entrada na delegacia, quando ia ser incinerado, também havia o desfalque lá naquele momento de incinerar.”

O papel de cada policial preso na organização:

  • Everton Rychelyson da Silva Aires (“Bomba”): Apontado como o operador central do esquema. O agente fazia a ponte direta de negociação entre os policiais e os traficantes.

  • Eduardo Jorge Ferreira do Egito (“Mão Branca”): Agente que participava diretamente do furto das drogas. Ele monitorava os carregamentos rivais usando rastreadores e escondia os entorpecentes na própria casa.

  • Braz Morroni de Paiva Junior (Delegado): Titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT) da capital, Morroni tem mais de 20 anos de carreira na Polícia Civil. A investigação aponta que ele participava da divisão dos lucros das vendas, recebia repasses financeiros e usava o cargo para proteger os subordinados envolvidos.

Lista dos demais presos na operação

Os outros investigados capturados são suspeitos de atuar diretamente no tráfico de drogas, incluindo ramificações que operavam no Sertão da Paraíba:

  • João Wicttor Alves de Lima

  • Brendo Roberth Fernandes Sobral

  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza (“Galinha”)

  • José Alexandrino de Lira Júnior (“Júnior Lira”)

  • Vanessa Dantas Fernandes

  • Dankennedy Vieira Brito da Silva (“Babau”)

Até o fechamento desta matéria, as defesas dos suspeitos não haviam sido localizadas para prestar esclarecimentos. O espaço segue aberto para manifestações oficiais.

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