Com o objetivo de ampliar o diagnóstico precoce, agilizar o acesso ao tratamento e fortalecer o monitoramento de doenças fúngicas que podem causar complicações graves, a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES), em parceria com o Ministério da Saúde e o Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB), realizou, nessa quarta (10) e quinta-feira (11), a Oficina para Implantação da Vigilância das Micoses Endêmicas e Oportunistas. O evento ocorreu no auditório da Escola de Serviço Público do Estado da Paraíba (Espep), em João Pessoa, reunindo profissionais da assistência, vigilância epidemiológica e rede laboratorial de todo o estado.
A iniciativa integra uma estratégia nacional do Ministério da Saúde para estruturar a vigilância epidemiológica dessas doenças em todo o país, permitindo conhecer melhor a ocorrência dos casos, qualificar o cuidado aos pacientes e fortalecer a resposta dos serviços de saúde. Participaram da capacitação médicos infectologistas, dermatologistas e pneumologistas, além de enfermeiros, farmacêuticos, coordenadores municipais de vigilância epidemiológica, coordenadores de núcleos de vigilância hospitalar, representantes dos Serviços de Atendimento Especializado (SAE) e profissionais do Lacen-PB.
A chefe do Núcleo de Doenças Crônicas e Negligenciadas da SES, Anna Stella Pachá, destacou que a ação representa um importante avanço para a organização da rede de cuidados. “Essa oficina tem o objetivo de apoiar a implantação da vigilância das micoses endêmicas e oportunistas no estado da Paraíba, bem como fortalecer a organização da vigilância e da linha de cuidados para esses agravos”, afirmou.
A oficina foi conduzida por técnicos da Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM) do Ministério da Saúde e reuniu profissionais de serviços de referência, como os hospitais universitários Lauro Wanderley (HULW), Alcides Carneiro (HUAC) e Júlio Bandeira (HUJB), além do Complexo Hospitalar de Doenças Infectocontagiosas Dr. Clementino Fraga, Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, Hospital Regional das Clínicas de Campina Grande, Hospital Regional de Patos, Hospital Regional de Cajazeiras, Serviços de Atendimento Especializado e coordenações municipais de vigilância em saúde.
Segundo a consultora técnica da CGTM do Ministério da Saúde, Geisa Cervieri, a implantação da vigilância busca dar visibilidade a doenças que já estão presentes nos territórios, mas que ainda são pouco monitoradas no país. “Hoje a gente não tem a magnitude do total de casos de pessoas com micoses que existem no Brasil. A ideia é dar visibilidade a essas doenças que já acontecem nos territórios para fortalecer o diagnóstico, o acompanhamento e o cuidado aos pacientes”, explicou.
Atualmente, apenas a esporotricose humana possui notificação compulsória em âmbito nacional. As demais micoses ainda não contam com um sistema padronizado de vigilância, o que dificulta a identificação do número real de casos e o planejamento de ações de saúde pública. A Paraíba, no entanto, já possui experiência no monitoramento da esporotricose humana desde 2018, servindo como referência para a ampliação dessa estratégia.
A vigilância contempla 15 micoses endêmicas e oportunistas de relevância para a saúde pública, entre elas histoplasmose, criptococose, paracoccidioidomicose, aspergilose, candidíase sistêmica, coccidioidomicose, cromoblastomicose, fusariose e esporotricose humana. Muitas dessas infecções afetam principalmente pessoas imunossuprimidas e podem evoluir para formas graves quando não diagnosticadas e tratadas precocemente.
Durante a programação, os participantes discutiram aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais dessas doenças, além de conhecerem os novos instrumentos que irão apoiar a vigilância em todo o país, como o Protocolo de Vigilância das Micoses, o Manual Clínico das Micoses Endêmicas e a plataforma digital Micosis (Site-TB) – Sistema de informação das micoses endêmicas e oportunistas -, sistema desenvolvido pelo Ministério da Saúde para registro de casos, solicitação e dispensação de medicamentos antifúngicos e acompanhamento e encerramento dos casos.
Um dos destaques da capacitação foi justamente a implantação do Micosis (Site-TB), que permitirá maior agilidade na solicitação e dispensação de medicamentos, reduzindo etapas burocráticas e fortalecendo a assistência aos pacientes. Na etapa prática da oficina, os profissionais são treinados para utilizar a ferramenta, realizar notificações, validar casos e registrar pedidos de medicamentos.
Para a médica infectologista do Complexo Hospitalar de Doenças Infectocontagiosas Dr. Clementino Fraga, Adriana Cavalcanti, a iniciativa contribui para ampliar o reconhecimento dessas doenças na prática clínica. “As micoses endêmicas não são doenças novas, mas muitas vezes são negligenciadas e pouco lembradas no momento do diagnóstico. Capacitações como essa ajudam os profissionais a pensar nessas possibilidades, reforçam os métodos diagnósticos e contribuem para um tratamento mais rápido e eficaz”, ressaltou.
A especialista também destacou os impactos da nova estratégia para os pacientes paraibanos. “Uma das principais mudanças será a maior facilidade e garantia no acesso aos medicamentos antifúngicos. O envio será mais rápido e em quantidade adequada, reduzindo a burocracia e agilizando tratamentos que, muitas vezes, são prolongados e de alto custo”, explicou.
A meta do Ministério da Saúde é que todas as unidades federadas estejam com a vigilância das micoses implantada até 2027. Com a iniciativa, a Paraíba fortalece sua capacidade de identificar, monitorar e tratar essas doenças, contribuindo para uma assistência mais qualificada e segura para a população.




