Enriquece o vocabulário, ajuda na formação do pensamento crítico, nos faz conhecer mundos distintos do que vivemos. Permite-nos viajar sem sair do lugar e viver as dores e alegrias dos personagens como se fôssemos nós mesmos os protagonistas. Esses são apenas alguns benefícios da leitura, mas eu venho aqui para provocar uma reflexão: qual espaço a leitura tem na sua vida?
Você está no grupo dos que leem por mera obrigação, reclamando e procrastinando a leitura, inclusive criticando os leitores assíduos (falo disso mais à frente)? Ou está no grupo dos que têm a consciência de que é preciso incluir a leitura na rotina pelos benefícios já citados acima ou por outros motivos não elencados por mim?
Não irei romantizar. Eu sei que nem sempre conseguimos ler o quanto gostaríamos. É muita coisa disputando com a leitura: trabalho, família, maternidade, mais trabalho, trânsito, postagens nas redes sociais. O acúmulo de tarefas, muitas vezes, pode ser um forte desestímulo, e a leitura acaba ficando por último. Não é porque fulano consegue que todo mundo consegue. Acho essa comparação cruel (como todas as outras comparações).
Eu tento ‘me obrigar’ a ler. Gosto de ler pela manhã cedinho, quando todos na casa ainda dormem. Aprecio o silêncio das 5h da manhã, quando o sol de João Pessoa está despontando para um novo dia e eu me deleito na minha leitura no sofá da sala, enquanto o cheiro do café invade a casa.
Mas repito, nem sempre é fácil. Nem sempre consigo. E quando não leio, sou tomada por um certo desapontamento comigo. É algo meu. Não por quantidade de livros que quero ter lido ao final do ano, mas porque a leitura me faz bem, e quando não consigo, me frustro. Mas recomeço no dia seguinte.
Em dias agitados, intensos, ter um momento reservado ao prazer da leitura é algo que me renova, me faz mergulhar em uma realidade paralela.
Recentemente, terminei de ler Capitães da Areia, de Jorge Amado, consagrado escritor baiano, autor também de obras como ‘Dona Flor e seus dois maridos’ e ‘A morte e a morte de Quincas Berro D’água’. Este, li na adolescência e se tornou inesquecível. Como temos bons autores nacionais!
Em tempos de redes sociais, nos quais rolamos o feed do Instagram até sermos diagnosticados com LER (Lesão por esforço repetitivo), optar por um livro é um presente para a nossa mente.
Infelizmente, e por incrível que pareça, há movimentos sutis na internet condenando leitores pelo ‘amostramento’ de suas leituras. Os mesmos que endeusam influenciadores ostentando riquezas e jogos de azar como forma de enriquecimento. Enriquecimento, diga-se de passagem, que nunca vai chegar.
A que ponto chegamos: ser criticados porque gostamos de ler, porque mostramos livros nas redes sociais, porque indicamos livros aos nossos amigos.
Nessa disputa pela ‘ostentação’, que fiquemos do lado que nos faz crescer como pessoas e como cidadãos. Eu fico com os livros.
Valéria Sinésio
Jornalista