Justiça condena primeiros réus da Operação Indignus por desvio no Hospital Padre Zé

Além das penas individuais, os dois também foram condenados a ressarcir, de forma solidária, R$ 525.877,77 por danos materiais ao Instituto São José e à Arquidiocese da Paraíba, valor que ainda será corrigido.

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Imagem ilustrativa (Foto: divulgação/MPPB)
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O Ministério Público da Paraíba (MPPB) conseguiu a primeira condenação relacionada à Operação Indignus, deflagrada em outubro de 2023 para investigar um esquema de desvio de recursos no Instituto São José, no Hospital Padre Zé e na Ação Social Arquidiocesana (ASA), em João Pessoa.

Foram condenados Egídio de Carvalho Neto, que era diretor-presidente do Hospital Padre Zé, e Samuel Rodrigues Cunha Segundo, então chefe do setor de Tecnologia da Informação da instituição. Os dois foram responsabilizados pelo crime de apropriação indébita.

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De acordo com a sentença da 3ª Vara Criminal da Capital, os réus se apropriaram de 676 itens de alto valor, principalmente equipamentos eletrônicos, que haviam sido doados pela Receita Federal ao Instituto São José e à ASA. Os crimes aconteceram entre 1º de junho e 24 de julho de 2023.

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Egídio foi condenado a cinco anos, seis meses e 20 dias de reclusão, além do pagamento de 132 dias-multa. Samuel recebeu pena de quatro anos, sete meses e 16 dias de reclusão, e 110 dias-multa. Ambos deverão iniciar o cumprimento da pena em regime semiaberto.

Além das penas individuais, os dois também foram condenados a ressarcir, de forma solidária, R$ 525.877,77 por danos materiais ao Instituto São José e à Arquidiocese da Paraíba, valor que ainda será corrigido. A decisão também fixa o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, montante que será destinado ao Fundo Especial de Direitos Difusos da Paraíba (FDD-PB), devido ao impacto causado à confiança da população na instituição filantrópica.

Operação Indignus

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), desde o início das investigações foram adotadas diversas medidas judiciais, como buscas e apreensões, quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, além de sequestro de bens.

Até o momento, mais de 20 processos judiciais foram abertos no âmbito da operação. O Ministério Público já apresentou 11 denúncias, duas em 2023, oito em 2024 e uma em 2025. Duas delas tramitam sob segredo de Justiça.

As investigações também identificaram 19 imóveis ligados a Egídio, entre mais de 30 bens sequestrados judicialmente. O Ministério Público solicitou a venda antecipada de parte desses imóveis para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Entre os crimes investigados em outras denúncias estão lavagem de dinheiro, peculato, obstrução de Justiça e organização criminosa. A denúncia específica sobre organização criminosa foi apresentada em dezembro de 2024. Já em agosto de 2025, parte do caso foi encaminhada ao Ministério Público Federal, após a identificação de possível uso de recursos federais.

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