Durante sua agenda oficial pela Europa neste sábado (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da 1ª Reunião de Mobilização Progressista Global, em Barcelona, onde proferiu um discurso enfático sobre a coragem necessária para defender posições políticas dentro do jogo democrático.
O mandatário brasileiro afirmou que ninguém deve ter vergonha de se identificar como progressista ou de esquerda, desde que respeite as regras estabelecidas pela própria sociedade, garantindo que o diálogo livre é essencial para a saúde das nações.
Em um momento de destaque diplomático, Lula teceu elogios ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ressaltando a postura soberana da Espanha ao não autorizar que aviões militares dos Estados Unidos utilizassem bases em seu território para ataques contra o Irã. O presidente lembrou que Sánchez resistiu a fortes pressões e ameaças de sanções comerciais por parte do governo de Donald Trump, mantendo a autonomia do país europeu diante de conflitos internacionais.
Ao tratar do cenário político interno das democracias, Lula adotou um tom de autocrítica direcionado aos próprios setores progressistas. Ele argumentou que, em muitas ocasiões, a esquerda sucumbiu à ortodoxia econômica e passou a gerenciar as falhas do neoliberalismo em vez de combatê-las, transformando-se naquilo que o eleitorado identifica como “o sistema”. Segundo o petista, essa falta de resultados práticos e a adoção de políticas de austeridade abriram espaço para que a extrema-direita se apresentasse como uma alternativa antissistema, canalizando a frustração e a insegurança da população por meio de mentiras e discursos de ódio.
Finalizando sua fala, o presidente brasileiro enfatizou que a coerência deve ser o pilar fundamental dos governos progressistas, que não podem trair a confiança do povo ao prometer uma agenda e implementar outra sob a justificativa da governabilidade. Ele destacou o risco que o extremismo representa para a democracia global, citando o contexto brasileiro e a necessidade de desmascarar líderes que se utilizam de discursos patrióticos para beneficiar apenas as elites financeiras.
Após a agenda em Barcelona, Lula segue em sua viagem pelo continente, com visitas programadas à Alemanha e a Portugal para reforçar laços bilaterais e debater a governança mundial.




