O médico Alexandre César da Cruz Lima deixou, nesta sexta-feira (10), a direção do Complexo Hospitalar de Mangabeira Governador Tarcísio Burity, o Trauminha de Mangabeira, em João Pessoa.
Em nota divulgada, o médico relatou que a decisão de deixar o hospital decorre de decisões político-partidárias. Ele também atribuiu a saída à necessidade de compartilhar o mesmo ideal de vida com a esposa, a médica Laís Pinto, que foi exonerada dos quadros da administração municipal.
“Minha decisão de encerrar este ciclo não decorre da perda de um cargo. Ela nasce da compreensão de que eu e minha esposa, Laís Pinto, compartilhamos o mesmo ideal de vida: cuidar de pessoas com dedicação, ética e compromisso. Entendo, embora não concorde, que, em determinados momentos, circunstâncias de natureza político-partidária ou relações de proximidade pessoal possam influenciar decisões administrativas. Respeito as decisões tomadas, mas continuo acreditando que o serviço público alcança sua melhor expressão quando critérios técnicos, resultados, mérito e compromisso com a população prevalecem”, disse o médico.
Alexandre agradeceu a toda a equipe pelo trabalho realizado e concluiu dizendo ter saído com a mesma convicção com que iniciou a carreira.
Veja a nota na íntegra
Ao longo dos últimos cinco anos, tive a honra de dedicar minha vida ao Complexo Hospitalar de Mangabeira. Mais do que exercer uma função, vivi um propósito: cuidar de pessoas, fortalecer o Sistema Único de Saúde e contribuir para que milhares de paraibanos recebessem uma assistência cada vez mais digna, humana e eficiente.
São mais doze anos exercendo a medicina, acolhendo, amparando, salvando vidas e procurando entregar, todos os dias, o melhor de mim. Nunca trabalhei movido por cargos ou posições. Sempre fui movido pelo propósito que Deus colocou em meu coração: servir ao próximo. É isso que faz meu coração vibrar e é isso que continuará guiando minha caminhada.
Quando iniciamos essa jornada no Complexo Hospitalar de Mangabeira, muitos já não acreditavam no potencial do hospital. Havia desconfiança, desafios estruturais e a sensação de que seria impossível transformar aquela realidade. Com trabalho, planejamento, compromisso e, principalmente, com uma equipe extraordinária, mostramos que era possível.
Hoje, deixo um hospital reconhecido como referência em nosso Estado, capaz de impactar positivamente a vida de mais de 15 mil pessoas todos os meses. Essa transformação não pertence a uma única pessoa. Ela foi construída por servidores, profissionais de saúde, colaboradores, gestores e por todos aqueles que acreditaram que o serviço público pode, sim, ser eficiente, humano e motivo de orgulho para a população.
Meu mais sincero agradecimento a cada servidor, médico, enfermeiro, técnico, fisioterapeuta, colaborador administrativo, equipe de apoio, prestador de serviço e parceiro que caminhou ao meu lado. Nenhuma grande obra é realizada individualmente. O que construímos foi resultado da dedicação coletiva de pessoas que compreenderam que o paciente sempre deveria estar no centro de todas as decisões.
Agradeço também à população de João Pessoa e de toda a Paraíba pela confiança, pelo carinho e pelo reconhecimento. Cada palavra de incentivo, cada gesto de gratidão e cada vida transformada foram a maior recompensa que um médico e gestor poderia receber.
Minha decisão de encerrar este ciclo não decorre da perda de um cargo. Cargos são transitórios. O propósito de servir permanece.
Ela nasce da compreensão de que eu e minha esposa, Laís Pinto, compartilhamos o mesmo ideal de vida: cuidar de pessoas com dedicação, ética e compromisso. Entendo, embora não concorde, que, em determinados momentos, circunstâncias de natureza político-partidária ou relações de proximidade pessoal possam influenciar decisões administrativas. Respeito as decisões tomadas, mas continuo acreditando que o serviço público alcança sua melhor expressão quando critérios técnicos, resultados, mérito e compromisso com a população prevalecem.
Por isso, com serenidade e consciência tranquila, compreendo que este é o momento de seguir um novo caminho. Onde não houve espaço para reconhecer o trabalho, a dedicação e a competência da minha esposa, também não encontro mais sentido em permanecer. Somos movidos pelos mesmos valores, pelo mesmo propósito e pela mesma missão de servir.
Saio sem mágoas, sem ressentimentos e com a certeza de que entreguei o melhor de mim em cada dia dessa jornada. Levo comigo amizades, aprendizados, experiências inesquecíveis e a convicção de que ajudamos a escrever um dos capítulos mais importantes da história recente do Complexo Hospitalar de Mangabeira.
Continuarei exercendo a medicina, ensinando, aprendendo e cuidando das pessoas onde quer que Deus me permita estar. Porque compreendi, há muito tempo, que para cuidar de vidas não é necessário ocupar um cargo. É necessário ter propósito. E esse propósito ninguém é capaz de exonerar.
Muito obrigado a todos que fizeram parte desta caminhada. Que Deus abençoe cada profissional, cada paciente e cada família que passou por nossa história. O Complexo Hospitalar de Mangabeira continuará sendo maior do que qualquer pessoa, e torço sinceramente para que siga crescendo, evoluindo e cumprindo sua missão de salvar vidas.
Saio com a mesma convicção com que iniciei minha vida pública: o verdadeiro patrimônio de um servidor não é o cargo que ocupa, mas as vidas que toca, os princípios que preserva e o legado que deixa. Esse legado levarei comigo por onde eu passar.
Até breve.




