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A perda de leitores no Brasil e o ‘cérebro podre’

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Foto: arquivo pessoal

Mais da metade dos brasileiros não lê livros. Foi o que apontou a mais recente pesquisa ‘Retratos da leitura no Brasil’ do Instituto Pró-livro, publicada em novembro deste ano. O dado é muito preocupante. Foi a primeira vez que o número de não-leitores (53%) superou o de leitores (47%) no nosso país. A educação, não tenho dúvidas, passa pela leitura. E como avançar na educação se estamos lendo cada vez menos?

Segundo a pesquisa, 53% da população brasileira afirmou não ter lido nenhum livro – nem físico nem digital – nos três meses anteriores. Não é um percentual qualquer, que se recupera em pouco tempo. Isso envolve uma mudança de comportamento da população como um todo, passando pelos governos em todas as suas esferas, e, claro, um grande incentivo à leitura às novas gerações para que cresçam com um livro na mão.

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A perda no número de leitores nos últimos quatro anos foi de quase 7 milhões. Os dados seguem alarmantes: 73% dos brasileiros não completaram uma leitura sequer, ou seja, abandonaram o livro em algum momento por motivos diversos.

A pesquisa mostrou ainda que a perda de leitores foi registrada em todas as faixas etárias, classes sociais e níveis de escolaridade, com exceção das crianças de 11 a 13 anos e das pessoas com mais de 70 anos. Mesmo com essa exceção, em termos gerais, o Brasil, lamentavelmente, tem lido menos.

Leitura x internet

O Brasil lê menos, infelizmente. E um dos fatores apontados pela pesquisa para isso é que a internet tem tirado os brasileiros dos livros. Ou seja, se já é difícil a leitura, isso fica ainda mais desafiador nesse mundo digital, no qual é mais ‘cômodo’ ficar rolando o feed em busca de algo que parece nunca chegar.

Prova disso é que a expressão do ano é ”brain rot” (que significa ‘cérebro podre’ ou ‘podridão cerebral’ em inglês). Segundo o levantamento, ao longo de 2024 esse verbete foi buscando 130 mil vezes. E o que essa expressão quer dizer? Refere-se ao processo de deterioração mental ou intelectual, que por sua vez é consequência do consumo excessivo de conteúdos questionáveis principalmente nas redes sociais – eu diria rasos, vazios e negativos.

Diante disso, e com a aproximação de um novo ano, acho que podemos fazer algo por nós mesmos: consumir menos conteúdo tóxico e dar mais espaço para a leitura. Algo que nos edifiquem como pessoas, que nos possibilitem um pensamento crítico e reflexivo para a vida em sociedade.
Não tem brain rot que resista a bons livros, e uma leitura constante.

Valéria Sinésio
Jornalista

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