Romero Ferro é um cantor e compositor pernambucano, nascido em Garanhuns no dia 20 de abril de 1991. Com sua arte, ele se destaca como um verdadeiro vanguardista, sempre em defesa do frevo como um patrimônio cultural do Brasil. Seu mais recente projeto, Frevália, leva o ritmo tradicional de Pernambuco para todo o país, com participações especiais de grandes nomes como Daniela Mercury, Clarice Falcão, Mart’nália e Fafá de Belém, entre outros. O álbum é uma homenagem à força do frevo no nordeste e celebra sua importância no cenário musical brasileiro.
O projeto é a continuação de um trabalho que Romero desenvolve desde 2016 e tem como objetivo mostrar que o frevo não é só para o carnaval, mas para o ano inteiro.
Nós do Papo Pop tivemos a oportunidade de conversar com Romero e ele compartilhou mais sobre esse projeto incrível. Quer saber mais? Então, bora conferir!
-Romero, o Carnaval sempre foi uma grande inspiração para a sua música. Como o Carnaval de Pernambuco influencia seu trabalho?
R – Pensando pelo lado de que a música tropical se fortalece durante a o período carnavalesco, sim! Faz muito sentido! Foi nesse período que ouvi os meus primeiros Frevos, e hoje estou aqui. Meus pais me levavam para assistir o Galo da Madrugada, e eu já sonhava em cantar lá desde pequeno. Foi como se de alguma forma eu atraísse isso também!
-Qual a importância do frevo e dos ritmos tradicionais pernambucanos no seu repertório?
R – Faz totalmente parte da minha essência, da minha regionalidade. E me torna diferente de tudo, por que eu sempre escolho o caminho que condiz com a minha verdade, naquele momento. O Frevo é o nosso grito de guerra, nossa força pernambucana, não tinha como meu trabalho não ter referências diretas. Todo artista é regional do seu lugar de nascença, e assumir essas origens é o que te faz único nesse mercado tão engessado!
-Como você vê a cena do forró e do frevo no Brasil hoje? Tem percebido uma renovação ou uma volta aos estilos tradicionais?
R – Eu acho que tanto a renovação, quanto o fortalecimento do clássico precisam coexistir, atuar em conjunto. O Forró já tem um lugar mais estabelecido no cenário nacional, e no nordeste. O Frevo ainda está muito nichado ao período carnavalesco, e não tem a adesão nacional que merece, por inúmeras questões. Existem muitas coisas legais e diferentes sendo lançadas, mas são mercados distintos. O novo não se cria sem o tradicional, e o tradicional não resiste sem o novo.
-Quais são seus projetos mais recentes? Você está preparando algum lançamento ou show especial para esse ano?
R – Lancei um álbum de Frevo, ano passado, o FREVÁLIA, cheio de participações especiais. É um projeto paralelo, uma coletânea para disseminar o Frevo e a música tropical brasileira, pretendo lançar outros volumes desse projeto mais para frente. Desse trabalho faço os shows de verão e carnaval desse ano, e tem um single chegando ainda essa semana. Além de um álbum novo no no final desse semestre, vai ser um ano intenso!
-Em suas composições, como você mistura a tradição com a modernidade, buscando atrair tanto os fãs de música popular quanto os amantes do frevo tradicional?
R – Eu busco sempre experimentar, meu trabalho não se restringe apenas ao Frevo, eu sou um grande pesquisador, antes de tudo. E gosto de criar as minhas eras, respeitar esses momentos, e entender que cada álbum, show, é um passo construído com muito trabalho, carinho e suor. E tô sempre me desafiando, odeio sentir que estou inerte, sem movimento. A inquietação faz parte da meu eu artista, e tem relação entre mistura de tradição e da modernidade. Pra escrever o futuro, a gente precisa viver intensamente o presente, e aprender com o passado. Parece uma loucura, mas faz muito sentido.
-O FREVÁLIA é uma excelente oportunidade para mostrar o frevo para todo o Brasil. Quais são suas expectativas para as apresentações?
R – Está sendo um movimento lindo, só agora no verão passaremos pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Olinda, Brasília, e muitos outros lugares. Levar o Frevo adiante é uma missão difícil, mas prazerosa. Então quero tocar mais pessoas, e levar o FREVÁLIA para o máximo de lugares possíveis, dentro e fora do Brasil.
-Como você acha que eventos como o FREVÁLIA contribuem para a preservação e popularização do frevo e dos ritmos nordestinos em outras regiões do Brasil?
R – É uma forma de mesclar culturas, entender a interseção dos públicos e mergulhar nisso. O Frevo pode se mistura com qualquer ritmo, sem preconceitos. Eu gosto de trazer convidados dos lugares para qual eu vou, e misturar no palco, na sonoridade. Tem dado muito certo, e isso só faz mais pessoas conhecerem o Frevo, de uma forma nova, criativa, potente!
-O FREVÁLIA vai passar por várias cidades. Existe algum lugar específico que você está ansioso para se apresentar e por quê?
R – Todos os lugares serão muito especiais, mas quero chegar com o Frevo logo no Pará, por exemplo. Acho que a fusão que vai acontecer ali será incrível. Já tive uma prévia do que seria quando lancei as canções com a Gaby Amarantos, e a Fafá de Belém, misturei Frevo com tecnobrega. Foi contagiante!
-O que você espera do futuro do frevo, especialmente nas novas gerações?
R – Eu espero que o Frevo continue resistindo, existindo e modificando todas as gerações que existem hoje, e as que chegarão. Espero que essa discussão do Frevo para ouvir o ano inteiro se intensifique, ganhe mais defensores, mais adeptos, mais investidores. A solução não é simples, nem unilateral, são vários pequenos movimentos que precisam somar e seguir firme, para juntos se transformarem em movimentos maiores. É muito fácil se perder nesse mundo caótico e genérico. Quero mais espaços para o Frevo, palcos, programas, documentários, matérias, festivais… eu tô fazendo a minha parte, e continuarei firme aqui na luta!