Fifa define árbitro esloveno para estreia do Brasil na Copa; juiz somali é barrado nos EUA

Slavko Vincic, experiente em finais europeias, comandará o duelo contra Marrocos. Nos bastidores, Omar Artan é detido em Miami e desabafa após perder o torneio: "Problema com meu país".

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A Fifa anunciou oficialmente que o esloveno Slavko Vincic será o árbitro responsável por comandar a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, no confronto diante de Marrocos. O duelo está marcado para o próximo sábado, às 19h (de Brasília). Ainda sem contar com Neymar, o técnico Carlo Ancelotti mantém o mistério sobre a escalação titular que irá a campo.

Vincic, de 44 anos, é considerado um dos principais nomes da arbitragem do futebol europeu, sendo presença constante em fases decisivas da Champions League — incluindo a final de 2024, quando apitou a vitória por 2 a 0 do Real Madrid sobre o Borussia Dortmund. Na estreia do Brasil, ele será auxiliado pelos compatriotas Tomás Klancnik e Andraz Kovacic. A escala do VAR ainda não foi divulgada pela entidade máxima do futebol.

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Árbitro da Somália é barrado e detido em aeroporto americano

Se as definições de campo avançam, os bastidores do torneio começam a registrar episódios de crise diplomática. Selecionado para o Mundial, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos por agentes de fronteira no Aeroporto Internacional de Miami. Artan, que seria o primeiro representante de seu país a atuar em uma Copa do Mundo, foi enviado de volta para Istambul, na Turquia, após passar a noite sob custódia.

Em entrevista ao The New York Times, o profissional relatou que sua documentação de imigração e as credenciais enviadas pela Fifa estavam em conformidade. Ele detalhou que a entrevista com os agentes de fronteira durou mais de 11 horas e que, após o interrogatório, foi trancado em uma cela antes de ser deportado, sem receber justificativas oficiais para a recusa.

“Acho que eles têm um problema com o meu país”, declarou Artan, que confirmou o retorno para a capital somali, Mogadíscio. “Iia os documentos certos e tudo mais. Eu tinha o visto correto”, completou, ressaltando que também apresentou comprovantes de sua carreira profissional.

A Somália figura na lista de nações cujos cidadãos enfrentam severas restrições de entrada nos EUA devido a políticas de imigração do governo do presidente Donald Trump, que no fim do ano passado classificou o país como “podre” e manifestou o desejo de suspender status de proteção a cidadãos somalis.

Impacto e reações institucionais

Artan era um dos sete árbitros do continente africano escolhidos para a Copa e havia sido eleito o Árbitro do Ano pela CAF (Confederação Africana de Futebol) em 2025. O impedimento causou forte frustração ao profissional, que desabafou: “Sou simplesmente um árbitro que está tentando viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, vir para a Copa do Mundo.”

Apesar do ocorrido, o juiz buscou demonstrar resiliência em depoimento ao jornal Miami Herald: “Estou focado nos próximos desafios da minha carreira de arbitragem. Gostaria de agradecer à Fifa e à CAF por todo o apoio e prometo manter meu nível de arbitragem enquanto me concentro no futuro”.

Acionada para se posicionar sobre o caso, a Fifa declarou em nota oficial que “não se envolve no processo de imigração dos países-sede, incluindo a concessão de vistos”, e pontuou que foi informada de que a decisão das autoridades americanas é irreversível neste momento.

Por outro lado, o Ministério da Juventude e dos Esportes da Somália saiu em defesa da lisura do profissional e revelou ter tentado tratativas diplomáticas com Washington, sem sucesso. “Omar Abdulkadir Artan figura entre os árbitros mais respeitados da África e […] negar-lhe a entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de arbitrar […] prejudica não apenas sua pessoa, mas também enfraquece o compromisso do futebol com a justiça, o mérito e o espírito de jogo limpo”, criticou Ciise Aden Abshir, conselheiro do Ministério, em entrevista à agência AFP.

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