A Central Estadual de Transplantes da Paraíba registrou um aumento de 100% nas doações de órgãos de janeiro a maio de 2024, em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram realizados 26 transplantes de órgãos múltiplos, um aumento significativo em relação às 13 doações registradas em 2023.
Os dados mostram que a Paraíba já realizou 150 transplantes este ano, fornecendo também 35 órgãos para outros estados. Entre os órgãos transplantados, estão cinco corações, 20 fígados, 11 rins e 106 córneas. Esses números contrastam com o mesmo período do ano passado, que registrou apenas três cirurgias cardíacas.
O aumento das doações é atribuído principalmente à maior sensibilização da população sobre a importância da doação de órgãos. Mais famílias estão autorizando a doação, mesmo em momentos de luto, como foi o caso de Evilasis Bezerra, cuja filha foi uma doadora que estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Metropolitano de Santa Rita.
A paciente teve morte encefálica confirmada pela equipe médica e a doação ocorreu no último dia 24 de maio. Ela destacou o gesto como uma semente que dará outros frutos. “Quando a gente se depara com uma cena de morte, a gente vê uma cena de derrota, que tudo acabou, que nada vai continuar, mas Deus tinha um propósito na vida da minha filha que os meus olhos não viam. E hoje eu compreendo que a vida da milha filha, depois da morte é uma semente para a vida de outras pessoas, e através dessa semente outras vidas vão ser abençoadas”, destacou.
Segundo Rafaela Dias, diretora da Central de Transplantes, além da conscientização das famílias, o apoio do governo estadual, os investimentos na área da saúde e a disseminação do tema em regiões como o Sertão paraibano têm impulsionado esse crescimento. “Com certeza, a sensibilização das famílias doadoras é a grande mola propulsora do avanço observado nos números de doações, mas não podemos esquecer que, além disso, temos tido total apoio do Governo do Estado, através da Secretaria, e avançado em conhecimento e técnica por meio das capacitações permanentes realizadas com os profissionais da equipe. Outro ponto que tem feito diferença, é que temos interiorizado as ações da Central, levando esclarecimento do assunto para cidades importantes do Sertão, como Sousa, Patos e Cajazeiras”, ressaltou.
É importante destacar que a doação de órgãos só acontece com autorização familiar e que comunicar o desejo de ser doador em vida é fundamental.




