O julgamento no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba sobre ações que questionam o resultado das eleições de 2024 em João Pessoa foi interrompido na manhã desta segunda-feira (27) após um pedido de vista. A análise envolve recursos apresentados por Ruy Carneiro e Marcelo Queiroga contra a decisão que manteve os mandatos de Cícero Lucena e Leo Bezerra.
O pedido de vista foi feito pelo juiz Rodrigo Clemente de Brito Pereira, o que suspendeu temporariamente a votação. A previsão é que o processo volte à pauta no dia 4 de maio, quando o magistrado deve apresentar seu voto e o julgamento poderá ser concluído. Durante a sessão, o presidente do colegiado, João Benedito da Silva, explicou a interrupção: “Rodrigo Clemente de Brito Pereira pede vista em relação à preliminar de cerceamento de defesa e todos aguardam, então, o voto quando o processo prosseguirá”.
As ações analisadas têm origem na Operação Território Livre, que investigou possíveis ligações entre a gestão municipal e organizações criminosas, além de suspeitas de aliciamento de eleitores.
Antes da suspensão, o procurador regional eleitoral Marcos Queiroga se manifestou durante a sustentação oral. Ele reconheceu a gravidade dos fatos investigados, mas afirmou que não há provas que comprovem a participação direta dos gestores nas irregularidades. “os fatos são graves, com aparato do crime organizado na Prefeitura de João Pessoa”, declarou, acrescentando que “uma coisa é indício” e que não há “comprovação em relação às provas no tocante à campanha do prefeito e do vice-prefeito”.
O procurador também comparou o caso com outras investigações e destacou a ausência de elementos concretos que liguem diretamente os investigados às acusações. “Lá havia áudios e evidências de participação. Aqui, não há prova da participação direta de Cícero”, afirmou. Ele ainda citou a existência de nomeações de pessoas ligadas ao tráfico na administração municipal, mas ressaltou que não há comprovação de relação com o processo eleitoral. “Não há dúvidas de nomeações de pessoas do tráfico de drogas na prefeitura, mas sem ligação com a candidatura de Cícero”, disse.




