
Gosto de leituras sobre acontecimentos reais. Livros que trazem relatos de sobreviventes, como os da Segunda Guerra Mundial e seus campos de concentração. São leituras que nos acrescentam informações e despertam a curiosidade para saber mais sobre determinada época.
E neste mês que o desastre de Chernobil completa 40 anos (o acidente ocorreu em 26 de abril de 2026), a minha sugestão de leitura é o livro Vozes de Tchernóbil – a história oral do desastre nuclear, da escritora e jornalista bielorussa Svetlana Aleksiévitch.
Esse foi um dos livros mais impactantes que li, do ponto de vista da sensibilidade humana em trazer histórias de pessoas que tiveram suas vidas transformadas com o desastre catastrófico da usina nuclear no norte da Ucrânia, ainda parte da então URSS. A tragédia foi sem precedentes, conta Svetlana em seu livro, através das falas e dores que, juro, quase dá para sentir com os relatos dos sobreviventes.
O acidente deixou um rastro de destruição, que, não se enganem, ainda existe nos dias de hoje. Além das mortes, entre 40 e 50, a tragédia causou inúmeras mortes por câncer em decorrência da radiação. O número de vítimas ao longo das décadas até hoje não se sabe.
O livro de Svetlana traz depoimentos chocantes de pessoas que perderam os sentidos, a casa, os sonhos, a esperança de viver novamente uma vida normal sem medo. A radiação levou tudo, ou quase tudo. Em um dos trechos, um sobrevivente relata que “nós perdemos não só a cidade, mas a nossa vida inteira”.
Svetlana dispensa comentários. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2015 e é autora de outras obras tão importantes quanto, a exemplo de ‘A guerra não tem rosto de mulher’ e ‘As últimas testemunhas’, ambos sobre sobreviventes da Segunda Guerra Mundial.
São leituras profundas, que nos obriga a refletir sobre o papel da coletividade diante das tragédias que acometem uns, matam outros e marcam todos – ou a maioria.
Valéria Sinésio
Jornalista


