Câmara aprova projeto que limita fiscalização por satélite em áreas desmatadas

Proposta apoiada pela bancada ruralista exige notificação prévia de produtores antes de sanções ambientais e gera reação de parlamentares ambientalistas

Foto: reprodução
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O combate ao desmatamento no Brasil pode ficar mais lento? A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que altera as regras de fiscalização ambiental e reduz o alcance das punições aplicadas com base em monitoramento remoto de áreas desmatadas. A proposta determina que produtores rurais sejam notificados antes da aplicação de embargos e outras sanções ambientais identificadas por imagens de satélite. O texto, defendido pela bancada ruralista, segue agora para análise do Senado Federal.

A votação ocorreu durante uma série de deliberações apelidadas de “Dia do Agro”, conjunto de propostas articuladas pela Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e voltadas a pautas consideradas prioritárias para o setor. Entre os principais pontos do projeto está a proibição de medidas cautelares aplicadas exclusivamente com base em registros de sensoriamento remoto que indiquem alteração da cobertura vegetal.

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Pela proposta aprovada, órgãos ambientais deverão comunicar previamente os proprietários ou responsáveis pelas áreas suspeitas de desmatamento, assegurando prazo para apresentação de esclarecimentos e documentos antes da aplicação de penalidades administrativas.

Parlamentares da bancada ambientalista reagiram à aprovação e afirmaram que a medida pode comprometer a eficiência das ações de fiscalização no país. Segundo os críticos do texto, mais de 90% dos desmatamentos são identificados atualmente por monitoramento remoto, especialmente em regiões de difícil acesso, como áreas da Amazônia Legal.

Na avaliação dos opositores da proposta, a exigência de notificação prévia pode retardar operações emergenciais e dificultar o combate ao desmatamento ilegal. Ambientalistas também afirmam que o projeto enfraquece instrumentos tecnológicos considerados essenciais para a preservação ambiental.

Já defensores da proposta afirmam que o objetivo é garantir maior segurança jurídica aos produtores rurais. A relatora do texto, a deputada Marussa Boldrin, declarou que a medida busca evitar prejuízos considerados injustos aos autuados e fortalecer a credibilidade das fiscalizações ambientais ao assegurar direito de defesa antes da aplicação das sanções.

Após a aprovação na Câmara, o projeto será analisado pelo Senado Federal antes de seguir para eventual sanção presidencial.

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