STF acaba com aposentadoria compulsória como punição para juízes em todo o Brasil

Com a mudança, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar a perda definitiva do cargo e do salário para casos de infrações disciplinares gravíssimas.

Supremo, STF
Imagem ilustrativa (Foto: Wallace Martins/STF)
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Em decisão unânime, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta terça-feira (26), o fim da aposentadoria compulsória remunerada como penalidade máxima para magistrados. Com a mudança, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar a perda definitiva do cargo e do salário para casos de infrações disciplinares gravíssimas.

A decisão referenda o entendimento do ministro Flávio Dino, relator do caso, que já havia determinado a medida em março deste ano. A punição anterior era alvo de duras críticas da sociedade, pois afastava o juiz de suas funções, mas garantia a manutenção da remuneração mensal proporcional ao tempo de serviço.

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Flávio Dino argumentou que a Reforma da Previdência de 2019 (Emenda Constitucional nº 103) extinguiu o fundamento constitucional que permitia essa sanção. Segundo o ministro, as regras atuais não preveem a transferência para a inatividade com recebimento de proventos como castigo.

“A Emenda 103/2019 alcançou expressamente o regime jurídico dos magistrados, revogando a sanção de ‘aposentadoria compulsória’ ao eliminar seu fundamento constitucional”, explicou Dino em seu voto.

A nova regra vale para juízes e ministros de todos os tribunais brasileiros, com exceção do próprio STF. O impacto da medida é significativo, considerando o histórico de punições no Brasil:

  • 126 magistrados foram aposentados compulsoriamente com salário nos últimos 20 anos;

  • Infrações punidas: Venda de sentenças, assédio moral e sexual, além de benefícios a facções criminosas;

  • Nova realidade: Magistrados que cometerem crimes agora enfrentam a demissão sumária, sem direito ao benefício mensal.

A decisão surgiu após a análise do recurso de um juiz do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que tentava anular decisões do CNJ. Com a negativa da Primeira Turma, o STF consolida uma nova era de rigor disciplinar para a magistratura nacional.

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