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Exclusivo: entrevista com Izaac Brito, diretor criativo que ilustrou Ariano Suassuna

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Foto: Divulgação.

Izaac Brito é um dos nomes que, junto a uma equipe de múltiplos talentos, fez nascer a exposição “O Auto de Ariano” – que é imersiva e está em cartaz até o mês de julho no Luzzco, aqui em João Pessoa. Ilustrador e diretor de arte há mais de uma década, é formado em Marketing e Propaganda pela Fatec e em Comunicação em Mídias Digitais pela Universidade Federal da Paraíba. Seu currículo se estende para uma pós em Design UX/UI pela Anhanguera e um mestrado ainda em curso em “Ilustração e Animação”, no Instituto Politécnico do Cavado e do Ave, em Portugal. É sobre o viés artístico que falaremos no bate-papo exclusivo a seguir.

Marianna: Na ficha técnica da exposição tem o seu nome em vários lugarzinhos. Nos conta um pouco sobre cada missão.

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Izaac: Eu divido a direção criativa do espetáculo com Yan Aleksander. Juntos, tivemos a missão de encontrar a melhor linguagem para dar vida ao roteiro escrito por Ana Laura Pinto e Demócrito Gracia.

Logo de início, criamos o storyboard para ter uma ideia mais concreta de como o filme seria, o que nos permitiu avançar com os trabalhos. Esse processo do storyboard é crucial em projetos assim, pois possibilita o entendimento de toda a equipe sobre a execução do filme antes mesmo dele ficar pronto.

Ao longo do projeto, também fui responsável por desenvolver o visual das personagens que aparecem no espetáculo, bem como a direção de arte de boa parte das cenas. Eu também precisei recriar ilustrações do próprio Ariano Suassuna para que elas pudessem ganhar vida nas cenas animadas.

M: Para o público saber, quais ilustrações são de Izaac na exposição?  

I: O Ariano na janela da fachada do Luzzco, no cartaz da exposição e em inúmeras cenas do espetáculo, como a representação de Taperoá na abertura, o com asas de livros, o teatro de mamulengos, a releitura de “Operários”, de Tarsila do Amaral, o Ariano palhaço e muito mais.

M: O que caracteriza as suas ilustrações?

I: Os traços e as cores são ferramentas que uso para representar o meu principal recurso, que é a observação do contexto geral e, principalmente, dos detalhes. As minhas ilustrações são sempre uma tentativa de dar vida e sentimento a paisagens e a personagens.

M: Como foi o convite para integrar essa exposição?

I: Tenho trabalhado com Jader França (publicitário e sócio do Luzzco) em diversos projetos, desde 2020. Então integrar a equipe d’O Auto de Ariano acabou sendo natural. Os vislumbres do que seria o visual do espetáculo já tinham sido desenhados por mim desde as primeiras conversas de Jader com João Suassuna, neto de Ariano.

M: Fala sobre o processo de lá pra cá… Do briefing à finalização.

I: Foi um processo muito rico de vivências e de pesquisa. João, neto de Ariano, nos passou muitas informações sobre a vida pessoal e a obra do avô. Ao lado de Manuel Dantas, filho de Ariano, ele também nos guiou em uma visita à Ilumiara Coroada, casa onde Ariano morou no Recife.

Quando se trata de Ariano, a inspiração vem de toda parte, principalmente compartilhando a mesma raiz nordestina. É todo um universo de música, artes plásticas e literatura. O desafio não foi se inspirar e ter referências, foi tentar dar conta desse artista imenso que ele foi.

M: A boa e velha pergunta: como se sente tendo o nome nesse projeto? 

I: Honrado e privilegiado. Tive a oportunidade de fazer a primeira grande exposição imersiva sobre um artista brasileiro ao lado de uma equipe cheia de profissionais que admiro.

M: Têm outras pessoas junto contigo na ilustração. O trabalho foi em conjunto?

I: Tem uma cena específica que tem um conjunto de ilustrações que representam os principais personagens da obra de Ariano. Essas ilustrações foram feitas por uma artista talentosa de Recife chamada Maria Xilo. E não poderia também deixar de citar as artes produzidas pelo próprio Ariano, por Dona Zélia (esposa de Ariano) e pelo Movimento Armorial.

M: De quais outras exposições do Luzzco você já participou?

I: Tenho participado das exposições do Luzzco desde o início. É possível perceber com mais clareza essa participação no “Paraíba Extraordinária” e no “Universo Encantado da Imaginação”. O espetáculo de Natal conta com a minha direção, storyboard, ilustração e desenvolvimento de personagens também.

Existem alguns marcos na minha carreira e “O Auto de Ariano” está ocupando o primeiro lugar. Tenho um carinho especial pela sua obra e seus ideais.

M: E quais seriam os outros marcos?

I: Outro marco foi ter sido responsável pelas ilustrações de uma edição especial da MVC Editora para o livro “Eu e outras poesias”, de Augusto dos Anjos.

Além disso, durante os anos que vivi em Portugal, tive a oportunidade de contribuir como storyboarder para o curta animado “Antagonistas”, de Paulo D’Alva,  e ilustrar o livro “Onde todos os caminhos vão dar”, de Pedro Seromenho, para a editora portuguesa Paleta de letras.

M: Por fim, revela para o Meio: por que curte direção de arte e ilustração?

I: Sou apaixonado por arte. Faz parte da minha essência. Desde criança, eu faço desenhos e esculturas. Com o passar do tempo, encontrei na ilustração e na direção de arte uma forma de satisfazer esse apreço profissionalmente.

Marianna Vieira (@mariannavieiraa) é jornalista, especialista em Publicidade e Assessoria. No Meio de Propaganda (@meiodepropaganda), destaca o mercado – paraibano, nordestino e brasileiro – há 13 anos. Quando a marca faz a diferença, o Meio faz a notícia.

Escreva para a coluna: [email protected]

 

 

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