A prisão da influenciadora Deolane Bezerra colocou em evidência dois personagens centrais do universo jurídico brasileiro: o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação histórica contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), e o criminalista Aury Lopes Jr., responsável pela defesa da empresária no processo.
Integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya atua há mais de duas décadas em investigações relacionadas ao PCC. O promotor assumiu a Promotoria de Justiça de Presidente Prudente em 1996 e passou a concentrar esforços no combate à facção após a transferência de integrantes da cúpula criminosa para presídios do interior paulista.
A atuação de Gakiya o transformou em um dos principais nomes no enfrentamento ao crime organizado no país. Em 2005, após a interceptação de uma ordem de execução atribuída ao PCC, o promotor passou a viver sob escolta policial permanente. Desde então, ele mantém proteção 24 horas por dia devido às ameaças de morte recebidas ao longo da carreira.
Entre as operações de maior repercussão conduzidas por Gakiya está o pedido que resultou, em 2019, na transferência de 22 líderes da facção para presídios federais de segurança máxima. Entre os nomes estavam Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho Júnior, conhecido como Marcolinha.
Nos últimos anos, o promotor também passou a atuar em cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos e da Europa em investigações relacionadas à atuação do PCC fora do Brasil.
Do outro lado do processo está Aury Lopes Jr., um dos nomes mais conhecidos do direito processual penal brasileiro. Professor, doutor em direito processual penal e defensor de uma linha jurídica garantista, o advogado ganhou notoriedade nacional pela atuação em casos de grande repercussão envolvendo políticos, empresários e investigados da Operação Lava Jato.
Além da atuação nos tribunais, Aury construiu uma sólida carreira acadêmica. Ele é doutor pela Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, e professor do programa de pós-graduação em Ciências Criminais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Também participou de debates sobre a reforma do Código de Processo Penal no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa na última quinta-feira (21) durante a “Operação Vérnix”, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público paulista, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).




