
O último estudo ‘Retratos da Leitura no Brasil’, divulgado em 2024, revelou a queda no número de leitores no país. Porém, percebe-se um crescimento dos clubes de leitura – ou, pelo menos, uma tendência nesse sentido.
Seja presencial ou virtual, o movimento traz boas perspectivas para um setor que amarga queda nas vendas, com livrarias mantendo as portas abertas por resistência. Nas redes sociais, muitos desses clubes cobram uma pequena taxa para quem deseja entrar, ou, o ingresso vem através da aquisição dos livros que cobram um valor pelo ano inteiro.
Os presenciais também têm feito adeptos, talvez em número menor porque não oferecem a facilidade dos virtuais. Em ambos, une as pessoas pelo mesmo propósito. É lazer, não é obrigação. Vai além dos livros. É socialização, conexão e identificação com o outro.
Como uma das fundadoras do clube de leitura ‘Aquele livro’, afirmo que é muito empolgante participar de um grupo no qual a paixão pela leitura une os participantes uma vez por mês para discutir a obra. Os clubes do livro tiveram muitos adeptos ao longo da década de 80, e nas décadas seguintes apresentaram declínio – voltando a despontar nos últimos anos.
Mas o que tem um clube do livro? Há quem diga que é só modinha de rede social, e que postar livro, para alguns, é mais a busca por validação externa que qualquer outra coisa. Eu prefiro acreditar que as pessoas querem ler mesmo.
No clube de leitura, não tem segredo: o livro escolhido pela maioria se torna o objeto de discussão no mês seguinte.
É um debate de troca, compartilhamento de informações e experiências que só mesmo a literatura nos proporciona. Diante da subjetividade da leitura, cada leitor coloca na mesa suas impressões sobre a obra e a discussão, no bom sentido, se estende por horas e horas…
Valéria Sinésio
Jornalista


